Luna, a menina que joga golfe na Lua

autoria Luís Octávio Costa

// data 28/12/2017 - 17:34

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"Aqui na ilha temos poucos dias de chuva. Às vezes, apenas algumas horas. Por isso é que a água é tão importante para nós". Estamos na ilha do Sal, em Cabo Verde. A protagonista da nossa história é Luna, 12 anos, que joga golfe na Lua. "Sem água, não há vida", sublinha Luna, personagem principal da curta-metragem da plataforma Tud Dret, que usa um inocente jogo de golfe como uma sinédoque para a seca que assola aquele país. "Seria incrível se houvesse relva no nosso campo, mas é mais importante ter água na nossa casa", diz a criança.

 

Luna é o segundo episódio de Tud Dret, uma iniciativa de quatro amigos e criativos que trabalham na área da comunicação e publicidade em Portugal, Reino Unido, Suécia e Cabo Verde. "A ilha do Sal é uma das mais áridas do arquipélago de Cabo Verde. A planura extrema e a proximidade ao continente africano tornam esta ilha uma das mais vulneráveis ao vento quente e seco do deserto do Sara", descreve, ao P3, o realizador Roger Serrasqueiro. "Apesar das magníficas praias de areia branca, água quente e cristalina, os recursos naturais de água doce são muito limitados devido à fraca pluviosidade anual que se tem acentuado ao longo dos anos, chegando mesmo a haver períodos de vários anos sem chuva. Mas nenhuma destas adversidades impede que um grupo de crianças na ilha do Sal concretize o seu sonho de um dia se tornarem jogadores profissionais de golfe. Sem água disponível para regar a relva de um campo improvisado nas dunas de Santa Maria, estas crianças praticam com determinação e felicidade este desporto, conscientes de que a água potável é muito mais importante para a comunidade do que para regar a relva do campo de golfe."  

 

O projecto Tud Dret tenta de alguma forma homenagear pessoas que utilizam a criatividade e o pensamento positivo em benefício das suas comunidades (recorde-se a primeira história, Alcindo). "Quando a criatividade tem esta capacidade de fazer acontecer coisas que parecem impossíveis, o mínimo que nós poderíamos fazer seria contar e partilhar estas histórias com o mundo inteiro. Mas também não queremos alterar o percurso natural destas histórias que já existiam antes de nós as tornarmos públicas. Por isso fazemos questão de deixar a porta aberta a todas as pessoas que queiram de alguma forma ajudar as comunidades locais, participar ou simplesmente partilhar as histórias Tud Dret", refere Roger Sarrasqueiro, que no mês passado teve uma fotografia destacada pela National Geographic captada em Cabo Verde. "Um raro dia de chuva" é o apropriado título.

Eu acho que