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Crónica

O desporto-rei vai nu

Estamos a assistir, na fila da frente, ao espectáculo de tudo aquilo que em tempos nos foi dito que deveríamos evitar. Somos espectadores daqueles que seriam os melhores alunos se a matéria estudada fosse “a força como solução para tudo”

Texto de Catarina Basto Viana • 17/05/2018 - 16:14

Catarina Basto Viana
Catarina Basto Viana é pós-graduada em Comunicação Empresarial

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Há dias em que dou por mim a pensar se seremos como o vinho do Porto: melhores com a idade, digo. Não chego a nenhuma conclusão. Mas tendo em conta os últimos acontecimentos, estou mais inclinada para o não. Atrevo-me até a dizer que a tendência é o inverso: o tempo passa e a coisa tende a piorar.

 

Em crianças, aprendemos a distinguir o certo do errado, o bem do mal. Mesmo que, mais tarde, isso se venha a revelar bastante ambíguo. “Não mintas que é feio, respeita os mais velhos, a violência não resolve nada.” Anuímos e confiamos a quem nos vai dando pistas acerca do melhor caminho a seguir.

 

No entanto, o que observamos depois revela que muita gente faltou a essa aula, onde se ensinava aquilo que não se deve fazer.

 

O resultado está à vista. Ultimamente têm sido várias as tentativas para dar cabo daquele que deveria ser um desporto que junta amigos à volta de uma mesa com cerveja e provoca euforia em dias de vitória. Esse mesmo, o futebol, que foi sempre um bom motivo para juntar um grupo no final de um dia de trabalho para um momento bem passado. Estamos perante mais uma das muitas situações que vêm deixando a nu este que é o desporto-rei e que, não tarda, ficará mesmo despido de qualquer tipo de dignidade.

 

Agora ouvimos as discussões intermináveis (em que todos têm uma palavra a dizer, mesmo que valor nenhum acrescentem), as aberturas de telejornais durante uma semana e um esmiuçar exagerado de assuntos que deveriam apenas ter uma consequência muito prática: a punição!

 

Estamos a assistir, na fila da frente, ao espectáculo de tudo aquilo que em tempos nos foi dito que deveríamos evitar. Somos espectadores daqueles que seriam os melhores alunos se a matéria estudada fosse “a força como solução para tudo”. Matéria essa que, ao invés de ensinar defesa pessoal, ensinaria o ataque colectivo.

 

Pois, voltemos atrás e ensinemos a diferença entre o que é aceitável ou não. O que deve ser punido agora e não depois.

 

Mas, por favor, não o façamos apenas com as crianças.

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