A escravatura foi abolida? Estas sapatilhas dizem que não

autoria Joana Costa Lima

// data 05/06/2018 - 17:10

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Jacques Slade é conhecido por, diariamente, desempacotar sapatilhas de marcas conhecidas internacionalmente, como a Adidas ou a Nike, no seu canal do YouTube. Mas, desta vez, o youtuber foi surpreendido por um par que escondia uma mensagem impactante. À primeira vista, as sapatilhas passam facilmente pelo último modelo no mercado. Num olhar mais atento, contudo, percebemos que transportam números perturbadores. Começa pela etiqueta, onde os 90 dólares não correspondem ao valor do calçado, mas antes ao preço de um operário escravo nos nossos dias. No que parece um simples logótipo da marca lê-se "40 milhões", valor que reflecte o número de pessoas escravizadas a nível mundial. Também as palmilhas, a preto e branco, mostram as condições degradantes da indústria de vestuário e calçado.

 

Tirando partido da popularidade dos vídeos de unboxing entre os mais jovens, a Thomson Reuters Foundation uniu-se à agência publicitária TBWA e a Jacques Slade para uma campanha intitulada Unboxing the Truth. Combinando o couro, a camurça e a malha com uma costura em ziguezague, as sapatilhas personalizadas revelam factos ocultos sobre a escravatura moderna e o trabalho forçado. Reparamos nos números um a um: "a escravatura está presente em 161 países", "a cada 30 segundos uma pessoa é escravizada" e "25% são crianças". Os valores são assustadores, mas este fenómeno gera anualmente 150 mil milhões de dólares de lucros ilegais. A iniciativa da Thomson Reuters Foundation visa consciencializar os millennials sobre o "preço humano" do vestuário e calçado que consomem e lança a questão: "Qual é o preço humano dos produtos que compras?".

Eu acho que